quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Serendipity - casos famosos.

Arquimedes
Arquimedes (287-212 a.C.), o grande matemático e inventor grego, tomava seu banho imerso em uma banheira, quando teve o que hoje chamamos de um insight e, repentinamente, encontrou a solução para um problema que o atormentava havia tempos. Seria a coroa do rei de Siracusa realmente de ouro? Dizem que Arquimedes teria saído à rua nu gritando: Eureka! Eureka! (Encontrei!). Ele havia descoberto um dos princípios fundamentais da hidrostática, que seria conhecido futuramente como o "Princípio de Arquimedes".
Kekulé
O químico alemão August Kekulé (1829-1896) adormeceu na plataforma enquanto esperava o ônibus que o levaria à sua casa e sonhou com uma cobra que mordia o seu próprio rabo (Ouroboros), rodopiando numa roda desenfreada. Segundo ele, foi esse sonho que o inspirou no entendimento de como os átomos do anel benzênico se ligavam entre si, princípio básico da química orgânica.
Alexander Fleming
Ao se preparar para entrar em férias por duas semanas, Alexander Fleming inoculou estafilococos em uma bandeja e, ao invés de colocá-la na incubadora, como normalmente fazia, resolveu deixá-la sobre a bancada. No andar de baixo do laboratório de Fleming trabalhava um perito em bolores que cultivava, entre outros, os esporos de um fungo desconhecido, o Penicillium notatum. Imagina-se que os esporos, muito leves, tenham sido levados pelo vento e estavam flutuando em grande quantidade no ar do laboratório de Fleming, cuja porta sempre ficava aberta. Retornando das férias, e encontrando o laboratório em grande desordem, Fleming começou a fazer uma limpeza geral. Repentinamente, uma das bandejas de estafilococos que estava prestes a ser desinfetada chamou-lhe a atenção. A placa apresentava uma larga zona clara totalmente desprovida de estafilococos, justamente a parte que estava cercada pelo mofo Penicillium. Fleming havia descoberto a penicilina, primeira droga capaz de curar inúmeras infecções bacterianas.
Galvani
Em seus estudos, dissecando rãs em uma mesa enquanto conduzia experimentos com eletricidade estática, um dos assistentes de Galvani tocou em um nervo ciático de uma rã com um escalpelo metálico, o que produziu uma reação muscular na região tocada sempre que eram produzidas faíscas em uma máquina elétrostática próxima. Tal observação fez com que Galvani investigasse a relação entre a eletricidade e a animação - vida. Por isso é atribuída a Galvani a descoberta da bioeletricidade. A própria palavra eletricidade vem de um relato do filósofo grego Tales de Mileto:ao se esfregar âmbar com pele de carneiro, observou-se que pedaços de palha eram atraídos pelo âmbar. A palavra eléktron significa âmbar em grego.
Lítio
John Cade era um desconhecido psiquiatra australiano que perseguia a crença de que pacientes maníacos excretavam ácido úrico altamente concentrado. Para testar sua hipótese, Cade injetava um preparado que fazia a partir da urina dos pacientes em cobaias. Havia, no entanto, sérios problemas de solubilidade nas amostras usadas e, para resolver esse entrave, Cade passou a usar urato de lítio. Inesperadamente as cobaias ficavam calmas e passivas durante os experimentos, contrastando com seu comportamento usualmente agitado e arredio. O urato de lítio, revelou uma das maiores revoluções na psiquiatria moderna. A partir daí Cade ainda fez testes em humanos em casos extremamente graves de mania aguda. Até hoje, mais de cinqüenta anos depois, o lítio permanece como um dos principais tratamentos para pacientes com mania grave, graças aos inesperadamente calmos porquinhos da índia observados pelo Dr. Cade.

Fonte:  http://vilamulher.terra.com.br/beth15939/serendipity-9-428339-5288-pf.php

Serendipity...

A palavra Serendipite representa a descoberta, de forma acidental, de algo que tenha ou desperte muito valor para nós, ou que nos seja útil. Pode ainda significar a descoberta (também por acaso) de alguma coisa que nos seja agradável, afortunada.

 A palavra foi criada no século XVIII (1754) pelo escritor inglês Horace Walpole, em uma carta que ele escreveu ao seu amigo Horace Mann, que na época morava em Florença. O motivo da carta era a descoberta de uma pintura da condessa de Toscana, Bianca Capello. O teor da carta era:

 "Esta descoberta é a do tipo que vou chamar de Serendipite, uma palavra muito expressiva que vou tentar te explicar, já que não tenho nada melhor a fazer: você a compreenderá melhor através da sua origem do que através de definições. Eu li, uma vez, um conto chamado "Os três príncipes de Serendip": Nele, suas altezas realizavam contínuas descobertas em suas viagens. Descobertas por acidente e por sagacidade, de coisas que, a princípio, não estavam buscando. Por exemplo, um deles descobre que uma mula cega do olho direito, andava sempre, na beira da estrada pelo lado esquerdo, já que lá, estava a grama já comida. Compreende, agora o Serendipity?"

 Na Carta, ele se referia ao conto "Os três Príncipes de Serendip" (Serendip era, na antiguidade, o nome que os comerciantes árabes davam ao Ceilão, atual Sri Lanka). Os 3 príncipes fazem, durante toda a narrativa da história diversas descobertas acidentais, inesperadas, cujos resultados eles não estavam procurando realmente.  Da mesma forma, acabam se livrando de problemas, dificuldades e chegam a ganhar presentes, dons e dádivas, sempre por acaso. Graças à capacidade deles de observação e sagacidade, descobriam “acidentalmente” a solução para dilemas impensados. Esta característica tornava-os especiais e importantes, não apenas por terem um dom especial, mas por terem a mente aberta para as múltiplas possibilidades.

 Em inglês costuma-se grafar esse neologismo como “Serendipity”, enquanto em português se usam as formas Serendipity, Serendipite, Serendipidade, Serendipitia ou Serendipitismo. Muitos a grafam erroneamente como "Serendipiti".

A história da ciência está repleta de casos que podem ser classificados como serendipismo. O termo é utilizado por cientistas quando alguma descoberta positiva surge de um experimento cujo objetivo tinha, originalmente, outro fim. Exemplos de algumas descobertas "serendipiticas" são: o Princípio de Arquimedes (Eureka... Eureka...),  Penicilina, Teflon, Nylon, Vidro de segurança, Raios X e a Dinamite.

Recentemente essa expressão tem sido utilizada nas áreas de Psicologia, Administração e Markting.  É considerada como uma forma especial de criatividade ou uma das muitas técnicas de desenvolvimento do potencial criativo de uma pessoa.

Fontes:
http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/Serendipite_ou_Serendipity.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Serendipidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Serendipity