segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Non lo so ...

Imagem: Arquivo pessoal

"Não sei quantas almas tenho. 
Cada momento mudei. 
Continuamente me estranho. 
Nunca me vi nem acabei. 
De tanto ser, só tenho alma. 
Quem tem alma não tem calma. 
Quem vê é só o que vê, 
Quem sente não é quem é, 
Atento ao que sou e vejo, 
Torno-me eles e não eu. 
Cada meu sonho ou desejo 
É do que nasce e não meu. 
Sou minha própria paisagem; 
Assisto à minha passagem, 
Diverso, móbil e só, 
Não sei sentir-me onde estou. 

Por isso, alheio, vou lendo 
Como páginas, meu ser. 
O que segue não prevendo, 
O que passou a esquecer. 
Noto à margem do que li 
O que julguei que senti. 
Releio e digo: "Fui eu ?" 
Deus sabe, porque o escreveu."

Alberto Caeiro














3 comentários:

  1. Oi Peônia

    que maravilha de poema. Fernando Pessoa foi realmente um gênio.
    Espressa muito bem como me sinto.
    Bjs

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  2. Peônia, que bom aqui regressar depois de tanto tempo e te encontrar... saudades!!

    Leandro Ruiz

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  3. "A cada dia de nossa vida, aprendemos com nossos erros ou nossas vitórias, o importante é saber que todos os dias vivemos algo novo. Que o novo ano que se inicia, possamos viver intensamente cada momento com muita paz e esperança, pois a vida é uma dádiva e cada instante é uma benção de Deus."

    Um ano novo repleto de paz, alegrias e muitas bençãos, e de novo recomeços!
    Feliz ano novo!
    São os meus sinceros desejos

    Leandro Ruiz

    2013/2014

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